domingo, 16 de setembro de 2018

Odor de Classe média.

A vida em apartamentos exala um cheiro diferente.

Em 8m² de conjuntura técnico-funcional, a única fenestra disponível aos ventos se condiciona num fluxo convectivo entre paredes alvas de massa acrílica que deposita nossos fragmentos desprendidos de pele no chão de taco sintecado. Entre as frestas de madeira desse piso, se acumula o pó de nossos chinelos junto a células mortas de epiderme que ali, vão curtindo e envelhecendo entre micro tonéis de taco.

Aos poucos se levantam os aromas desse couro morto curtido, mesmo após a passagem da diarista.

Sem saber como era gerado, sempre o defini  como cheiro de quarto dormido ou aroma de adolescente branco em onibus azul. As notas de meia perdida sob a cama , short de academia , fluidos de colchão e copos de coca com restolho são secundários nesse miasma urbano, moderno e destinado a ser parte da rotina de cada vez mais pessoas.
A pele que deixamos para trás é o rastro mais íntimo de nossa presença nos cubículos dos edifícios. Nossas células vão fermentando em substratos diversos. Alheias ao toque do interfone e ao capricho da especulação imobiliária.

quarta-feira, 27 de junho de 2018


A primeira revolução industrial de fato começou há 300 milhões de anos. 


Nas brumas do carbonífero a terra antes nua foi sendo vestida com a maior malha industrial de todos os tempos. Rasgando o horizonte de uma Terra sem homens se ergueram as chaminés da mais complexa usina de energia já desenvolvida no planeta.. Triste daquele que enxerga na árvore um esteio inerte, apático e imóvel no tédio de sua estagnação. Injustiça atroz! 


Na cepa altiva dos arvoredos vejo a robustez de uma fábrica dotada com chaminés estrondosas que cospem suas lâminas de fumo resultantes dos processos de transformação operados por um sistema mais complexo e profundo que o de qualquer manufatura. A relação entre um chão de fábrica moderno e os paus fotosintetizadores é explicita!! Chegamos ao ponto de plagiá-los mas, sem o mesmo lirismo. 

Siderúrgicas e galpões transformadores se alimentam com hordas de caminhões e locomotivas que ali despejam seus insumos a serem processados em linha de produção. De lingotes à toneladas de concreto cinzento. Dos fétidos barris de diesel aos fardos de plástico em tubos. Dos encardidos carregamentos de minério às cargas de têxteis.....Nada disso se compara com a derradeira e etérea matéria prima que as fábricas vegetais cooptam: a luz. Três meras letras traduzem a pureza do inefável insumo que ao invés de modais rodoferroviários chega até elas no resplendo de um raio solar. =*



Pelos tecidos arbóreos, batalhões de cloroplastos se articulam em tarefas operacionais de transformação tão eficientes quanto operários humanos que atendem aos apitos da firma. Um turbilhão de atividades se encerra dentro das ramas aparentemente estáticas que na verdade, fervilham ante a fosforilação de moléculas empenhadas em gestar as adenosinas trifosfato. 



Por mais avançadas que sejam nossas fábricas, nada se compara ao poder das indústrias arbóreas em converter a matéria inorgânica, inerte e basal em elaboradas cadeias moleculares de estrutura orgânica. A alquimia industrial disso não gera bens de consumo supérfluos e fúteis mas, a base de consumo de toda cadeia ecológica junto do vital ar do qual nos nutrimos. As chaminés de fábrica expelem fuligem asquerosa em baforadas de monóxido enquanto as chaminés de tronco transpiram no farfalhar de folhas névoas incolores, insípidas e fresca de oxigênio manufaturado. Produzir o orgânico a partir do inorgânico embebido com raios cósmicos de luz é mais do que alquimia; é magia ornada por um véu de poesia. 



Foi o propagar das matas que nos trouxe as mais primordiais e excelentes fábricas dotadas de chaminés e não a revolução industrial nos idos de 1700. Um Pólo Fabril em Manchester é mero engenhozinho se comparado à industriosidade da mata virgem antes ali existente. Provavelmente, foi a capacidade dos britânicos em reconhecer o papel pioneiros das árvores na transformação em larga escala que os permitiu nomear a palavra “Usina de Força” como: Power Plant. O poder vegetal é realmente o que melhor define a inspiração de sua empreitada. 

P.S ...........
Uma semente que repousa na palma das mãos tem a primazia do design em uma forma perfeita na funcionalidade e incomparável na capacidade de compressão. É uma bela capacidade de se dimensionar pelos extremos. Da sequoia colossal à semente que a produz trilham-se centenas de metros de intervalo. O potencial da sequoia se encerra no grão de 4mm em altura.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

As pedras do caminho

A capital de Minas fazia jus ao nome quando se olhava para o horizonte de 90 anos atrás. Em um panorama sem prédios encardidos o firmamento tocava as serras em cores de chumbo cobreado com tons de Sasha embarbecido. O romantismo descia dos céus até a calmaria das ruas calçadas de gnaisses que brilham ao toque da chuva. Os anos encobriram a beleza dos paralelepípedos em nome da praticidade acolchoada do asfalto que melhor acalenta os pneus.
Chãos graníticos se converteram em ruas que são mais rodadas do que pisadas. Tristemente se apagaram os passos de um Drummond bêbado ou de um Pedro Nava lânguido que subiam a Rua da Bahia. Também sumiu o rastro do funcionário público de colarinho duro que descia a mesma rua ressoando o toc-toc do sapato bicolor em sola de madeira pelos veios da pedra.

No entanto, ainda resta uma vaga lembrança dos anos pueris da cidade pouco notada em meio ao embarque e desembarque da estação e os ébrios da boemia.   É na rua Aarão Reis que resiste a última via em calçamento original da jovem urbe das minas. Lá estão blocos de rocha que testemunharam a passada de boêmios que escreviam versos em paredes de banheiros nos quais se aspirava uma cocaína comprada em farmácia. Felizmente tenho o privilégio de caminhar por estas pedras todos os dias enquanto alimento a  esperança de resgatar um tempo que eu não vivi. É ali na fedentina do baixo centro que posso respirar a sublime permanência de uma nostalgia congelada na sonolenta ruazinha de pedras. Ruazinha esta que, contrariando a lógica das cápsulas do tempo, se preserva ironicamente por não estar enterrada. A Rua Aarão Reis acaba sendo uma cápsula do tempo pervertida. Enterrá-la seria matar os marcos memorialísticos que ela evoca o tempo todo em silêncio tomando sol e chuva, jorros de vômito e cascos quebrados de Heineken, passos corridos de quem bate o ponto e freadas do MOVE trambolhão. 

Andar pela manhã entre a Serraria e o viaduto garante aos que tem memória farta e coração mole um aperitivo dos idílicos sabores de uma Belo Horizonte que já está quase totalmente sepultada sob o macadame.

Sobrevivendo à tirania do asfaltamento ficaram alguns resquícios dos calçamentos de rua originais do inicio do século como na Alameda das palmeiras (praça da liberdade) e alguns caminhos dentro do Parque Municipal. Mas rua inteira do inicio ao fim é só a imunda Rua Aarão Reis que ainda resiste agonizando entre a modernidade e a beira do asfalto.










domingo, 25 de setembro de 2016

Do que é pequeno tambem se entende a base

Muitos são os detalhes que nos definem. Não só como indivíduos mas também como povo ou nação. Ao ler um dos estudos sobre a CCNC (comissão construtora da Nova capital de Minas) me chama a atenção saber que após anos de estudo, esboços idealistas e todo um planejamento pretensioso a cidade de Belo Horizonte foi inaugurada em dezembro de 1897" com um serviço de coleta de esgotos praticamente inexistente, precariamente abastecida de água vinda dos córregos do cercadinho e da serra e pavimentação por concluir". Podia-se notar na época que apesar do entorno empoeirado o Palácio da Liberdade e as Secretarias já despontavam no topo do alto relevo coroado pela praça tal como uma Washington Dc que admira a unção da sua Colina Capitólio. Notem como é recorrente nos dedicarmos mais às aparências do que para a essência. Cidades podem nascer sem uma estrutura nutricional básica que a sustente em suas necessidades de infra estrutura e saneamento desde que, ja sejam dotadas de um palácio (que provavelmente esta nutrido com suas latrinas). Alem da cordialidade explicada por Sergio Buarque possuímos o vício de não dedicarmos urgência naquilo que realmente é urgente. O tempo que sobra em virtude desta ingerência não deságua no ócio, claro q nao! Pois usamos esse excedente para nos preocuparmos com aquilo que é aparente ou ate mesmo fútil. Discuti-se a cor da cereja sem que se defina a qualidade da massa de bolo. Abrimos uma comissão de estudo para avaliar o uso da bermuda pelo funcionário que há anos executa comandos desnecessários em um sistema operacional obsoleto e preferimos reparar o ar condicionado q resfrie o gabinete de um Mestre de Ordens do que a sala de controle que hospeda o Servidor da rede de computadores. Fazer mimimi é mais atraente do que coisas práticas ou que dependam de uma dedicação concentrada por serem de ordem fundamental. Pensar no ensino superior e mais interessante do que terminar o primeiro grau, comprar roupas sem cuidar do corpo e se dedicar mais a missa mais do que a Deus. São estes os detalhes fundamentais da nossa brasilidade.

domingo, 13 de julho de 2014

Quem me faz sorrir, espontaneamente transforma a brevidade dos meus dias em amostras satisfatórias da eternidade

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Savana de Pindorama.

O cerrado gosta de se entrelaçar. Lá, as ramas entendem de amor pois se lançam pelo espaço com lasciva desenvoltura. Se espalham e crescem guiando-se pelo contorno da não-contenção. No cerrado, é regra ter galhos tão libertinos quanto o rebolar de uma mulata e não uma exceção.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Quebrando breaking Bad


O último capítulo de BB foi insensato por já passar um sentimento de desfecho. A graça da historia não estava na sua conclusão mas no trajeto insano que ela percorre. O fim a destrói. Um epílogo destrói a beleza da caminhada que neste caso é mais importante que a mera chegada. É um gozo efêmero que cancela as preliminares contínuas.

Bem a calhar veio o comentário de mARIA eDUARDA que li ontem na pag. 163 dos Maias. Questionaram Maria sobre um bordado que ela tecia e que nunca acabava. Sua resposta foi:
- "E para que se há de acabar? O grande prazer é anda-lo a fazer. Uma malha hoje, outra amanha, torna-se assim uma companhia.. para que se há de chegar logo ao fim das coisas?"
(...)

Maldito seja o capitulo final que ceifa sua companhia.
O ideal seria que a temporada se congelasse. Perfeita sem a expectativa do fim. Necessita a humanidade evoluir-se ao ponto de criar a criogenia Cultural. Disso que carecemos: congelamento de sensações. Mais do que congelamento de carnes e polpas de açaí.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A origem das coisas: O que une Jack Johnson e Waldir Azevedo ?



Partida

Ao pensarmos em Portugal nosso imaginário de início recorre à paisagem dos vales de videiras encobertas com névoa ou dos olivais à beira dos muros de pedra. Poucos se remetem às praias de areia branca pintadas sobre a Ilha da Madeira como parte das terras lusas. Ainda que pouco conhecido, o arquipélago da madeira se ergue como cidadela legitima da alma portuguesa em meio às portas do atlântico profundo. Esta pequena ilha de origem vulcânica com clima ameno e praiano se fez grande na musicalidade que exportou ao mundo.

Desde os tempos romanos existem relatos da existência destas ilhas porem, não houve no arquipélago nenhuma tomada oficial de posse. Nem mesmo ocupação.
Em 1419 os navios do reino ali desembarcaram. Era mais um ponto descoberto pela ousadia da odisséia lusitana. Portugal ousava, desafiava a geografia e se empreendia nas conquistas. Para se ter poder era preciso conquistar, e lá se foram. Tocando pouco a pouco aquilo que era visto como intocável a nação portuguesa foi desbravando, conquistando, descobrindo oportunidades e rumos. Era preciso dar novos mundos ao mundo e neste caminho novo que se trilhava pelo atlântico deram de cara com o arquipélago da Madeira. Mais adiante achariam os Açores e de lá não se aquietariam. Não bastou colocá-las no mapa, Portugal as ocupou e o encanto do clima subtropical daquele ponto não demoraria a trazer lucros.

Bufunfa Melada

As navegações continuaram e as descobertas nasciam. A ousadia tinha seu preço, exigia homens de fibra e decisões de estado. Triste dos que tombavam no meio da empreitada. Mas a dificuldade era recompensada com os tesouros do além mar. Novos povos para se fazer comercio, novos panos, marfins e o faiscante ouro da África. Surgia o caminho da Índia. Agora uma infinidade de produtos antes desconhecidos emergia ao sabor do consumo. Por serem novidade, tais produtos motivariam o apetite de compra em uma Europa cansada do mesmo pão e vinho de sempre.

Muito se fala sobre o choque cultural destes descobrimentos. Povos do leste e do oeste, do velho e do novo mundo agora se relacionavam mutuamente e de uma forma nem sempre harmônica. Tanto que o impacto gerado pelo contato inédito entre os povos traria as conseqüências mais profundas de suas histórias. No entanto houve também o choque bio-ecológico. Novos nichos ecológicos e espécies foram apresentadas a europeus que desconheciam  a idéia de impacto ambiental. Movidos pelo lucro e a exploração comercial terras foram devastadas e espécies nativas deram lugar a exóticas ao mesmo tempo que as exóticas em outras situações também eram trocadas por nativas. A profundidade deste impacto é muito bem descrita na obra “Imperialismo Ecológico” do escritor Alfred Crosby. (No livro, Crosby concentra-se na pouco examinada invasão biológica das novas terras pelo que chama de "biota portátil": o conjunto de animais, vegetais e doenças que embarcaram junto com os europeus nas caravelas e acabaram por alterar todos os ecossistemas do globo)


Dentre as espécies novas e rentáveis que as descobertas descortinaram estava a Cana (Sacharum spontaneum). Nativa da Índia, esse capim emanava o suco divino do açúcar. Maior acariciador do paladar que o homem já vira ate então. Berço do doce e das pimentas, a Índia foi sem duvida a terra prometida do paladar. O seio do Ganges oferecia , através de suas iguarias inéditas na Europa, uma porta aberta e dourada para rentáveis negócios. “Aquele que não conhece doce, quando come se lambuza”, e assim o fez os mercados consumidores do norte. Europeus não tinham contato com o açúcar. Não o conheciam antes da descoberta da cana indiana. De inicio alguns gramas desta delicia chegavam nos portos europeus pelas mãos dos árabes a preços imorais. A procura afinal era grande pois muitos queriam ter o prazer daquele sabor. Povos da antiguidade desconheciam esse capricho. Suas sobremesas se resumiam a frutas e o único doce q conheciam era o mel. Pobres gregos, Galeses e Romanos. Tais povos, que tantas conquistas e engenhos deram a humanidade morreriam sob a chaga de nunca terem experimentado ou conhecido o sabor lascivo de um pudim ou do Petit Gateau com sorvete de creme.

O açúcar vindo da India foi sendo levado pelos portugueses aos mercados famintos da Europa. O produto valia mais que drogas e se vendia nas butiques de luxo. Fardos de rapadura eram facilmente arrematados em casas de leilão por alto preço. A força desse mercado fazia a alegria das mulheres gordas do velho continente que torravam seus vinténs para sentir no paladar o toque do sabor que traz orgasmos.

Não era de se espantar que muitos procurassem maneiras de expandir tais lucros. Produzir a cana em regiões mais próximas reduziria custos e afastaria a intermediação dos indianos. A cana em solo europeu não vingou já que o inverno setentrional implacavelmente a torturava. Mas eis que surge uma alternativa: a Ilha da Madeira com suas brisas praianas e clima mais quente que o do continente. O clima associado ao solo vulcânico garantiu prosperidade da cana de açúcar na ilhota e a produção encheu o reino português de dotes, a ilha de progresso e as mulheres consumidoras de calorias.

A quente ilha da Sicília também se aventurou no negocio mas não conseguiu igualar-se aos portugueses da Madeira que adquiriram um know how espetacular. Muitos açucareiros sicilianos acabaram ido para a Madeira. Os habitantes da ilha passaram a ser os especialistas europeus no assunto cana de açúcar. A prosperidade se derramou na vida cotidiana, a ilha se enchia de festas. A musicalidade como de costume marca os períodos de euforia. A vila do Funchal, nas festas de louvor ao divino se deparava com um rico  festejo onde cada um portava o seu cavaquinho. O cavaquinho também chamado braguinha, é um instrumento originário do norte de Portugal, que mais tarde foi amplamente introduzido na cultura popular da Ilha da madeira.

O curso dos acontecimentos se segue.  Ao chegar o século XVI grandes oportunidades de investimento açucareiro surgem no Brasil. Com um clima tropical genuíno não era de se espantar que a sugestão do plantio de açúcar pintasse os olhos  colonizadores com o desenho das cifras. Ao introduzir a cana no Brasil foi necessário que homens experientes no assunto viessem da ilha da Madeira. Muito da nossa empresa açucareira se deve a contribuição dos açucareiros da Madeira. Muitos chegaram com suas famílias e na bagagem trouxeram seus brinquedos de festejo: os cavaquinhos.

Este instrumento, hoje tão popular e oriundo dos portugueses, principalmente da Madeira, se disseminaria pelo interior e pela costa. Dos botequins aos morros de periferia ele se fez presente. Embalando o chorinho e as rodas de gamboa.

O chorinho do pacífico

Após o séc. XVII a prosperidade da cana na ilha da Madeira conhece seu ocaso. A região agora passaria ser um grande dispersor de população.

Por volta do séc. XIX fatos interessantes ocorrem. Ha muitas milhas do Atlântico um pequeno arquipélago passava por mudanças estruturais. O lugar em questão eram as Ilhas Sandwich. Estas ilhas vulcânicas perdidas no meio do Pacífico e abençoadas por ondas enormes viviam um momento de agitação. Em meio a graves lutas entre os chefes tribais locais surge um nome que consegue unificar o povo e se proclamar líder supremo das trinos polinésias da ilha. Seu nome é Kamehameha (não me perguntem porque o nome dele é o mesmo do golpe do Goku ) .

Kamehameha cria bases de modernização para a sua nova nação e estabelece laços comerciais com o ocidente. Proclama-se rei de um arquipélago que busca se encaixar aos padrões modernos de estados monárquicos. Promover a produção e o comércio era fundamental para o desenvolvimento nacional e para isso Kamehameha I, estabeleceu políticas de incentivo agrícola, atraiu investidores e investiu nas culturas tropicais de alto valor no mercado consumidor norte americano, que cada vez mais aumentava seus negócios com a região.

O nome do país foi mudado de Ilhas Sandwich para Reino do Havaí. Investiu-se em portos e casas de comércio. Foram aplicados capitais na produção de café, bananas, açúcar e principalmente abacaxi (que aliás é um fruto nativo do Brasil). O Havaí se tornou o grande produtor de gêneros tropicais no pacifico e abastecia grande parte do consumo de abacaxis do Japão e Coréia. Kamehameha I seguia o clássico estereótipo de rei polinésio, gordo com longas saias de desenho floral, tiara com fibras de côco, colar de flores e um hibisco na orelha. Mas por traz desta figura havia um homem de visão empreendedora. Para dinamizar a produção de açúcar promoveu a imigração. Os habitantes da ilha da Madeira, tão experientes na produção de açúcar, logo abraçaram a oportunidade de nova vida na terra próspera do Havaí.

No final do XIX muitos madeirenses foram para o Havaí trabalhar nas plantações de cana. Era uma longa viagem de 4 meses que deixou marcas profundas na terra do surf. Até o ano de 1910 cerca de 20 mil portugueses da Madeira viviam ali. Da mesma forma estes imigrantes carregaram na bagagem seus costumes e feitios. O cavaquinho português, o mesmo levado da Madeira para o Brasil, seguiu para o porto de Honolulu e por lá ficou. O instrumento foi adotado pelos locais, adquiriu feições próprias e passou a se chamar ukulele.
A sonoridade que desembarcou no Brasil e embalou o chorinho boêmio das rodas de bamba passaria sorrateiramente a também entoar as noites de luau sob a sombra do Kilauea.

O importante mesmo e saber que ate as coisas mais simples seguem um longo caminho ate se tornarem o que conhecemos.

No ano de 1898 os americanos bancaram um motim que derrubou a monarquia. A intervenção veio seguida de invasão e hoje o antigo reino é o 50° estado dos EUA, mas ai já é outra história.



terça-feira, 30 de abril de 2013

Wireless


“ - Alô, Mauler.
     Beleza ?

 -  Eae Beleza cara.
     Posso falar no fone agora não. To cagando. Conversa comigo agora pelo Face. Falou.”
 


A primeira frase com que se inicia um texto é sempre a mais difícil de ser construída. Estando agora na segunda frase, sinto-me confortável em digitar estes pensamentos.

A comunicação foi a chave para inúmeras conquistas das sociedades humanas. Habilidades cerebrais e polegares opositores causariam pouco impacto se por ventura possuíssemos entraves comunicativos. É a transmissão da informação que sacode o mundo.

Os dons e as descobertas de gênios se esgotam em si mesmas quando não divulgadas eficientemente.  Pobres de nós quando não recebemos as informações que a vida dissemina. Transmissão e entendimento são portanto, o substrato em que o conhecimento se  propaga. Sem isso somos menores e impotentes, somos a barata sem antenas.

A geração atual entende o quão amplas são as oportunidades e as possibilidades que ela tem diante de si pelo fato de que as antigas gerações não possuíram tanta acessibilidade à  informação quanto a proporcionada na era em que vivemos. A comunicação de hoje rompeu paradigmas que a aprisionavam e estancavam seu alcance. Graças aos inúmeros Paulos que surgem neste vibrante novo século a comunicação, montada na liberdade galopante e inconseqüente, trafega por vias que desconhecem a divisão entre periferia e centro, subsolo ou porão, Savassi ou Piratininga. Comunicabilidade e informação bailam atualmente felizes por entre céus espaçados e imunes à prisão dos cabos, tal como a prostituta que desfila soberana pela noite sem a coleira de qualquer compromisso que a impeça de ser de qualquer um.

Falar do Paulo é o mais fértil dos assuntos. Foi importante termos chegado a este ponto. Paulo Mauler é inegavelmente um fértil assunto. Não por ele ser atraente, não por ele ser bonito mas, pelo fato dele ser icônico. Sim, ele é o ícone da maior era de transição dos últimos tempos. A grandeza do que ele representa acaba por torná-lo belo, mais do que ele imaginaria. Ninguém traduz tão bem o espírito do novo. Ninguém representa tão bem o novo que quer pisar o antigo. Ninguém quer tanto quebrar disquetes quanto ele. E ninguém sabe tão bem a necessidade de quebrá-los como ele sabe.

Viver é fazer história. Mas história que vale a pena ser feita, é aquela que desafia a tradição. Desafiar uma mentalidade antiga é um dos legados advindos desta nova amplitude das comunicações.

É justamente no Paulo, este homem de pele pálida e barba crespa, que tem o gene do sertão e as digitais calejadas que eu posso ver o que o futuro reserva. Ele é o anunciante dos novos estereótipos humanos, que não serão lentos e nem tão pouco ignorantes. A agilidade, tanto de cliques quanto de ver as coisas, o torna este ícone representativo e autêntico dos novos tempos. Nenhum título lhe cai tão bem quanto o de patativa do norte. Ave que com seu canto traz o novo. Diferente das patativas tradicionais ele não entoa a informação com o cantarolar sublime das auroras, mas com o toque corrido feito por ele nas teclas de um periférico. Se eu possuí-se alguns alinhavos desta genialidade, não temeria tanto o futuro.
A bússola sem dúvida aponta para o Paulo. Não só pelo seu magnetismo pessoal, mas principalmente por ele estar no ponto mais boreal que uma cidade pode conceber.


  "O problema com os programadores é que você nunca pode dizer o que  um   programador está fazendo até que seja tarde demais."
 Seymoure Gray

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Aracnídea

Imagina-te perseguido por uma aranha gigante. 

Por mais que vc corra ela lança uma pata nova na tua frente a cada passo desesperado de corrida que tu consegue dar.


Pensa no ruído diabólico que ela faz ao balançar as quelíceras atiçadas. Prontas para te despedaçar.

Imagina o último suspiro que tu é capaz de dar ao sentir a pata peluda e asquerosa te ferindo ao chão. Pense que o seu grito desesperado de socorro por mais desesperador que seja, não vai fazer aqueles cinco olhos que te miram terem compaixão. 

O seu desespero converte em choro. Enquanto tu rezas, as tais patas escuras te envolvem. Um adomem cabeludo aponta para o seu rosto e cospe a gosma pegajosa da seda. 

A medida que o vento frio sopra, o liquido com consistência de esperma ralo se solidifica e transforma-se em teia sólida e grudenta que te imobiliza. 

Tua prece é a única arma contra um predador isento de maldade que apenas quer beber os humores do teu corpo para ser capaz de gerar saudáveis ovos.

terça-feira, 9 de abril de 2013

zzzzzz

Dormir é mais gostoso quando abraçamos a noite cansados.

Dormir ´e perfeito quando temos a certeza de que o nosso futuro está garantido

Acordar é sublime quando o despertar da aurora te encontra agasalhado com o toque de pele de quem te despiu por toda a madrugada.

O despertar é perfeito quando sabemos que o dia que começa não será mais uma sequência de medos e angustias frente um caminho que não se consegue trilhar.

e a melhor de todas as noites é aquela em que conseguimos apagar da memória tudo aquilo que vimos acontecer no dia que se encerrou no mesmo instante em que fechamos os olhos.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Paixão, é uma coisa forte que tremula o címbalo do seu peito.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Deus abençoe o Cirilo

É um privilégio conhecer pessoas com uma personalidade tão  rara quanto enriquecedora. Aqueles q são foda merecem sempre uma homenagem. Ao observar Cirilo cirilando em uma noite de savassi ja é posível narrar a saga do espetáculo teatral de existencia que ele proporciona toda sexta..


O cirilo 



A luz o machuca e a noite o desperta.
seus cabelos brancos vividos, sabem muito mais que os meus empoeirados livros.

Quando sorri, distende todos os músculos de uma face que arreganha a extensão de um sorriso capaz de rir para o mundo inteiro.

Ele surge na penumbra da madrugada, feito um miasma das sarjetas.

Com o andar torto. Tombando sempre de um lado.
Mostrando q seu corpo delgado é superior demais para adaptar-se à carregar o fardo desestruturado da vida real.

Somente o mundo desconexo dos sonhos e da libertação da mente  tem a flexibilidade  capaz de se apoiar no seu caminhado gingado.
A cada dois passos ele levanta a calça que cai. A Peça de roupa sabe que é incapaz de aprisioná-lo.

Em uma mão leva seu copo enquanto que na outra ele balança seus 5 dedos dispostos a dar carinho.

O vento da noite fria capaz de cortar um desnudo mamilo
É o mesmo que anuncia a todos que lá vem o Cirilo.







terça-feira, 27 de novembro de 2012

Saudação ao 1º Centenário da Fac. de medicina da Universidade Federal de Minas.

Nestes anos que venho trabalhando  na vetusta casa de Guimarães Rosa e JK, aprendi a sentí-la como parte de mim. Ressalto que ela foi um marco na minha vida profissional em muitos sentidos e portanto, é justo considerá-la como minha segunda casa. Justamente por ter tanto apreço a esta casa resolvi escrever alguns versos que saudam os 100 anos de tão nobre instituição. Me encomendaram tal trabalho para que fosse publicado na abertura da espoxição do centenário sendo que, tal publicação não chegou a ser feita. Resolvi não perder a oportunidade de torná-lo público... Transcrevo o texto abaixo que foi escrito por mim aproximadamente em fevereiro de 2011.


Há 10 décadas um caminho de desafios, aberto pelo brilho e entusiasmo de nossos pais e avós, foi sendo trilhado. Foi a caminhada que fez abrirem-se os caminhos. E deste brilho inovador, da audácia arredia contra a adversidade foi gerado o orgulho que sustenta os inúmeros diplomados que passam por estas portas. Portas que se no passado eram de rija madeira vigorosa, feito o espírito que é esperado daqueles que ousam servir ao conhecimento, são hoje claras e transparentes tal qual os horizontes libertários que a sabedoria faz nascer. Homens que aqui entraram humildemente necessitados do saber se obstinaram ao longo de vários semestres para merecer saírem ungidos pela certeza de que a educação libertadora aqui recebida os convencerá mais do que antes da grande ignorância que terão ante os desafios colocados pelo mundo. A tradição por nós erguida não foi a de formar doutores, mas a de diplomar homens e mulheres encarregados de se inconformarem eternamente com os sofrimentos humanos.
Apesar de não estarmos a altura faremos nossas as palavras de Leonardo da Vinci que dizia: “A vida bem preenchida torna-se longa”. E são os passos das centenas de pessoas cruzando diariamente esses corredores que preenchem a vida desta casa. O toque sensível da aurora nestas fachadas faz despertar nas primeiras horas da manhã o som das catracas que ao girar entoam a pulsante celebração da vida em cada andar que se enche, com a agitação dos corredores e o abrir das salas. Foi este espírito e esta movimentação que tornou longa nossa existência. Tal circulação constante de gente assim como o fluxo sangüíneo dos corpos, dispersa os nutrientes que edificam nossa estrutura. A faculdade não só é feita destas pessoas mas se constrói a partir delas que, tal como células de um organismo se dispõe determinadas a cumprirem suas funções desde as primeiras horas do expediente estudando, trabalhando, ensinando, pesquisando, limpando, estagiando, zelando pelo patrimônio enfim fazendo a história.


Através desta exposição, queremos compartilhar singelos fragmentos de uma epopéia ainda inacabada.

Leandro Menezes, acadêmico do Centro de Memória da Medicina de MG

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Virada de Anno Novo em 2010. Indo para Brasília

Minha primeira viagem como mochileiro foi em 30 de dezembro de 2010. Marchei para o coração do planalto, para conhecer o sonho concreto de Niemeyer que se fez armado no coração do sertão. E ainda por cima, sozinho. Enquanto curtia minha insônia no onibus que cruzava a 040 mergulhado em horas e horas de chuva peguei meu bloco de notas e escrevi minhas reflexões sobre o momento.. Só agora tenho tempo de postá-las aqui.. Abaixo segue o texto , diário de bordo datado de 30/12/2010,,


Quinta feira, 30 de dezembro | 2010

Escrevo com certo desnorteio. Hj deixei de lado minha paranóia de prudência  e planejamento para fazer algo totalmente impulsivo. Ainda não me caiu a fichA . A impressão é de que tudo à minha volta, pelo fato de estar acontecendo deveras rápido ou com intensidade demais seja a moldura  momentânea de um sonho.  Tudo aconteceu tão rápido que ainda não me dei conta de que o bilhete amassado na minha mão em instantes me levará para além de  700 km longe de casa. Para o meio do  planalto com o mínimo de planejamento. Sem reservas de hotel, nem programação, nem nada.

Por mais que isto pareça insensato, a minha cabeça martela dizendo que insensato é não viajar.
Em 10 horas estarei no coração de um  continente , na geratriz da pátria.

Por mais que minha decisão pareça impulsiva ela não o é.  A arte dos contornos e a plástica dos desenhos sempre mE despertaram  paixão.  Durante tantas  e tantas vezes em que vi Niemeyer declarando sua atração pela curva eu conseguia sentir o orgasmo de sentidos que ele tentava expor nesta ideia. Tornei-me  fã. Um adimirador, seja viajando nas sinuosas linhas que via nas aulas de historia da arte, seja  nos contos memoraveis de João Amilcar Salgado. Que diga-se de passagem, nunca omite o Jucelinismo da essência de Minas.

A saga da invenção do plnalto central sempre me facinou. Conheci a historia de cada prédio, aprendi sobre o conceito  de cada linha  traçada no plano piloto  mesmo sem ainda tê-lo  conhecido de perto. Hj o desejo disforme  de um dia tocar as curvas  de Brasília  deixou de ser desejo e se tornou ousadia.

Nada mais adequado. Da mesma forma que o ímpeto de JK eu me aventuro pelo horizonte, sem medir os esforços ou escutar o Velho do Restêlo.  A certeza q tenho é a de que seguirei caminhando para conhecer o caminho. São exatamente 19 horas. Estou a meia hora  de embarcar para Brasília a fim de conhecer a alma desta invenção da ousadia.




sábado, 15 de setembro de 2012

Noite Branca?

Ser cristão não é fácil. Ser budistas tambem não. As duas crenças  tem um profundo apego pela ideia de compaixão e fraternidade diante o outro. Infelizmente, tal fundamento no cristianismo  converteu-se mais em retórica. De qualquer maneira é importante percebermos o quanto é dificil praticar tais sentimentos que as duas religiões aqui citadas tanto pregam.
Hj não é um dia fácil para mim. Afinal, os dias felizes são os menos propícios para termos inspiração poética. Cheguei em casa após me sentir desmerecido. É triste  ficar durante a semana inteira levantando uma muralha de expectativas que depois se desmorona em uma implosao descepcionante.  Mas enfim, foi isso que aconteceu. A sexta que tanto prometia se converteu em uma madrugada melancólica. Terminei a tao esperada noite caminhando sozinho por entre as ruas escuras de um bairro onde se ouve o galo cantar às 5 da manha.
Caminhar para mim é um bom exercicio para a mente.  Reflito sobre a vida enquanto ando. É nestas reflexões que percebo o quanto o desafio da vida nos impoe sacrifícios. Com certeza os pensamentos odiosos são mais fáceis de brotar. Tambem ´emuito mais facil pensarmos nas vinganças , das mais variadas formas , como solução para toda situação ruim que passamos. Porém, na madrugada andante preferi pensar sobre o que é compreensão.
A compreensao do outro é fundamental na nossa jornada contra o sofrimento. Fundamental ao processo são os gestos de compaixão, que devemos ousar em fazê-los com frequencia. Assim como ousamos cruzar a rua fora da faixa todos os dias..
Compaixão é o polimento de si mesmo através do exercício de se auto sujar, se auto punir e se auto mutilar. É dar , mesmo que suavemente um tapa no proprio ego. O não compreender bem os outros, apenas nos força a cada vez mais dizer que o outro nos decepciona.
 
 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Av. Afonso Pena, às 13 da tarde

Meados de setembro e os Ipês desnudos de folhas soltam as suas últimas flores. Uma a uma vão caindo sutis. Os galhos  grosseiros, que há um mês atrás  se emolduravam com cores e buquês, agora   se envolvem na nudez. As flores que restam são poucas e anunciam que  tal beleza tornar- se -á uma mera intenção. Uma mera expectativa que só se despertará no ano que vem. 


Na minha frente, caiu a última flor amarela de um galho engarranchado. Ela desceu sublime em um bailado sutil que zombou da lei de Newton. Ao tocar a calçada que  milhares pisam, nenhum som foi ouvido. 

A verdade é que as flores não caem em silêncio! Elas tocam o chão ao som de uma sinfonia complexa de mais para que possamos ouví-la.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A vida imita o escame

Nas vesperas de concretizarmso nosso projeto muita coisa parece que vai dar errado. No fim tudo se encaminha para a normalidade. As coisas acabam  se mantendo as mesmas. Por fim, O Vega vai pegar um voo da Boliviana de Aviacion " BoA".  E com chegada prevista as 16:20.

Ou seja o Vega vai viajar de boa chegando às 4 e 20. É muita coincidencia para acharmos q é mero acaso. Antes de cruzarmos a fronteira, o destino nos aplicou seu primeiro Troll.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A uma semana de partir, a primeira noite de insonia

O Vega é a nossa mala,,


Ser brasileiro e não pensar como um é uma merda. Voce se sente um cisne na manada de patos que a todo momento o escamam. Perguntem se eu consegui deixar para a ultima hora o planejamento de uma viagem que corta mais de 5 mil kilometros.. é claro que não. Mais de um ano de planos nao sao suficientes para me fazerem sentir preparado. O angustiante é que nas vésperas de partir é que temos mais atividades concorrentes para resolver. Mesmo estando a quase uma semana de seguir para o Oeste a ficha ainda não havia caído. Tudo parecia ainda distante porém, bastou o Vega sacudir a moita da desistencia para que o evento se mostrasse mais próximo do que se esperava. Como um espectro do além túmulo que vem soprar a beira do seu leito , o medo surgiu. O fato do Vega ameaçar de não ir por ter o seu voo cancelado me deixava fulminado pois, aquilo soava como um mau agouro  sinalizador. " A desistencia do Vega é so uma mostra das merdas q vaum vir" pensei.

Não pensem que foi uma paranóia. desde alguns dias que o Vega ameaça acender a faísca do mimimi perto das folhas secas das nossas expectativas. Crises de pessimismo e ameaças de desistencia foram comuns desde o inicio do ano quando ele decidiu que iria conosco. Toda semana ´e um tal de vou , não vou. Definitivamente ele descobriu a árvore da desistencia,,, como ele não se deparou com nenhuma Eva lasciva que lhe oferecece uma mordida do fruto , o jeito foi se contentar em apenas balançar suas folhas. Ele faz ameaças,,, mas assim como as folhas elas se levam pelo vento.

A ameaça dessa vez foi até seria pois envolvia cancelamento de voo. E porq o voo do Vega seria cancelado? A empresa dele foi a bancarrota. Ta mais quebrada que Braite em ponto de onibus no fim da madrugada. Toda vez q o Vega sinaliza de não ir eu me estresso... mas ele mesmo não se estressa ao pensar em não ir. É foda. Assim eu chego na aduana com mais peso de consciencia do que de bagagem.  Por mais q dê merda , o Vega se livra no final. O pai dele soube que a companhia Aerosur pediu concordata e comprou o voo de outra empresa antes.  Acho q comprou da VARIG. Ufa!
pelo menos agora nesta ultima semana da pra dormir aliviado.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Vinte Onze

Enfim eu me escrevo de volta. Hoje eu me dispus a mais uma vez restabelecer a formalidade de escrever para min mesmo. Pensar que este blog é lido por muitos ou que ele receba avalanches de likes da massa burguesa descolado-conectada deste país emergente seria no mínimo uma síndrome de pretensão. Na verdade isso não me importa. O prazer de transformar estas páginas na enxurrada digital da minha consciência é algo que sem dúvida vale a pena.

Foi praticamente um ano sem escrever. A era 2011 passou em branco nestas páginas. Mas não nas paginas da minha vida. Já disse algumas vezes que postagens escassas são sinal de vida real mais intensa. Isto não é uma regra absoluta é claro porém, é o que me acontece na maioria das vezes. Em uma era com excessos de informação e anseios nossa dedicação acaba ficando diluída. Não precisava ser assim. É lógico que as prioridades relativas ao que fazemos devem partir da administração do tempo.. Ao se organizar tudo é possível mas enfim. .. na prática é diferente. Às favas com o pensamento Fafichesco! Sempre retórico e metafísico. Em era de velocidade digital e praticidade pós moderna o que se assenta no mundo é o pensamento de Mauler. A lógica Mauleriana é a triunfante. E se ela ainda não se impôs como absoluta e amplamente seguida é porque ela ainda não se fez perceber; mas ela vai se fazer. Silenciosamente. Caso você ai, moleque imbecil, não conhece o Mauler vá atrás dele e passe a conhecer o futuro.

O meu 2011 foi intenso. Curtíssimo..

É até difícil traduzir sucintamente a avalanche de coisas que se sucederam neste ano singelo. Ano em que profissionalmente surpreendi a mim mesmo. Ano em que meu estresse pipocou, em que senti na pele o que é ser perseguido, ano em que eu soube recomeçar, soube o que é ter esperança, ter desesperança e em seguida ter esperança de novo. A prosperidade que sonhei veio em dobro, e o trabalho em triplo. No entanto, se engana quem pensar que o “ganhar mais dinheiros” me fez mais feliz. O empenho em me dedicar ao trabalho e a busca de realizações muitas vezes me impediu de viver com mais intensidade e usufruir dos prazeres que poderia ter usufruido. Malditos trad-offs. Ao faxinar minhas memórias posso listar algumas coisas ruins deste ano como por exemplo o estresse que passei ao depender dos ditames burocráticos da Universidade, do medo de não acertar minha vida acadêmica, dos calafrios que me geravam o simples som da palavra RH, a raiva por não ter tempo de praticar exercícios e a inveja que senti daqueles que mesmo gordos e fudidos na vida eram mais alegres que eu. Melhor que isso é relembrar todas as coisas maravilhosas do ano como: os prazerosos raios de sol iluminando a visão de um quarto novo, os sorrisos da Jane, a cachaça de Ouro Preto, o reconhecimento da minha dedicação, a satisfação com o sucesso do Braite, a sensação de vitória ao conseguir me manter em uma posição que muitos queriam me tomar, a maravilha de viagem que fiz em Tiradentes, a companhia preciosa, ainda que curta, de senhores como Massula, Roberto ou do Pardini. Ou o prazer de ter passado o natal em uma companhia mais valorosa do que posso descrever. Tudo isso são amostras do que se passou de importante. São pequenos toques que por mais simples que sejam foram capazes de me transmitir o sentimento de que a vida valia a pena nos instantes em que ocorreram. ..Enfim, isso já ficou longo. Acho interessante concluir me lembrando da chegada de 2011. Passei a virada do ano em um quarto de hotel em Brasília. No coração do pais se concentra a mais alta renda per capta da nação e talvez isto tenha servido como um bom agouro para atrair a tão sonhada prosperidade econômica no ano q se seguiu. O misticismo do planalto central é apenas um dos fatores interessantes daquelas paragens. Foi sem duvida uma viagem corajosa. Uma mochilada de supetão, sem pensar muito e que valeu a pena. Enquanto embarcava no ônibus escrevi algumas notas que postarei a seguir. Para aquele que ousar ler isso.. bom apetite.